
Qualquer semelhança é mera coincidência, mas o que escrevo sobre Daniel Dantas começou há muitos anos atrás. Daniel era jovem, tinha um olhar misterioso, penetrante, nojentinho, arrogante e pobre, mas com um futuro bem promissor pela frente, um belo casamento. A noiva, total lost, feia, maluca, inteligente, agilizada e rica, tratou logo de lançar Daniel nos melhores circulos possíveis, além é claro de arranjar um mestrado na Europa. Na volta, o tão esperado casamento, porque afinal, tudo tem seu preço!! A festa foi linda, Dani assim que voltou de lua de mel foi para o lindo apartamento providenciado pelo sogro e em seguida começou a vida que pediu a Deus.
Tratava a esposa aos trancos e barrancos, Daniel é meio tosco, apesar de ter passado uma temporada na Europa não perdeu totalmente o ranço com o passado simplista, começou a aprontar logo no começo. Ela, coitada, fingia que não ligava, algumas vezes colocou Dani para correr, mas logo voltava atrás, o que importava era ter um marido para chamar de seu. Assim a vida do casal foi transcorrendo, vieram os filhos, o casamento virou um contrato de lealdade, cada um faz o que quer, desde que um não exponha demais o outro, ou seja, tudo muito debaixo dos panos.
Acompanhei essa história desde os primórdios, éramos amigos, a fórmula me era estranha, tudo me deixava meio chocada, desde a maneira como Daniel a tratava até as traições mútuas, mas... depois de um tempo a gente começa achar tudo meio normal, no quintal dos outros, claro!
Reencontrei Daniel depois da minha separação, nossa forma de tratar mudou, no começo nos tolerávamos, mas com os anos passei a admirá-lo como profissional, pai, amigo, jamais como marido, isso sempre será uma merda, passamos a nos enxergar de outra forma, com mais respeito talvez. As crianças se tornaram próximas, sempre juntas, talvez isso tenha nos aproximado um pouco, não sei... Aliás, não sei como tudo começou!! Ele sempre sozinho, nos cruzamos numa festa, naquela noite o inevitável aconteceu, acabamos juntos, sem explicação, juntos... Eu só pedi que acabasse ali porque sabia que jamais sustentaria a situação, mas não acabou, ele não deixou acabar, eu também não.
Isso se arrastou por dois longos anos entre idas e vindas, muita culpa, muitos medos, desconfiança por parte dos amigos e dela também, mas a gente simplesmente não conseguia parar, as vezes eu sumia por meses, tentando fugir da situação, do sentimento, mas era mais forte que eu, que nós.
Ele é muito protocolar, tentando sempre controlar as palavras e as ações para que eu não me envolvesse demais e pudesse mais tarde coloca-lo contra a parede ou coisa parecida, isso me machucava mais que o fato dele ser casado, na verdade isso era um detalhe que depois de um tempo passou a não me perturbar tanto, no fundo sempre soube que nossa relação só daria certo assim, Daniel é racional demais para mim, eu preciso de alguém que vibre o tempo todo, que seja passional, que respire sentimento, definitivamente ele não é o cara!!! E quando eu finalmente realizei isso, depois de muita terapia, percebi que gastava muita energia investindo numa relação unilateral, onde só eu estava presente, mesmo sabendo que a forma de amar dele não era igual a minha, vamos combinar que ninguém é igual a ninguém, mas tem que ser pelo menos parecida, tem que ter retorno, senão morre. O meu sentimento não morreu ainda, mas tá caminhando para, porque eu aprendi que você não pode fazer de alguém uma prioridade se esse alguém faz de você apenas uma opção.
CASE CLOSED.