Passamos as últimas semana apreensivos com a cirurgia do meu irmão. Ele, muito mais sereno do que todos nós, parecia que estava olhando tudo de fora, uma praticidade irritante, foi melhor assim.
O melhor médico, o melhor hospital, em São Paulo claro, e está tudo terminado, assim esperamos.
Isso me fez pensar o quanto a vida é curta, o quanto reclamamos, o quanto somo egoístas, e então tudo acaba!
O que eu faço da minha vida agora? Já estão todos comunicados da minha intenção de ir embora, apesar de alguns argumentos, e depois de todo stress, achamos que não podemos adiar nossos ímpetos, afinal não sabemos se vamos ter tempo para isso ali na frente.
Mas agora vem o medo, medo do novo, do desconhecido, da distância, será que estou fazendo a coisa certa? Será que estarei expondo meu filho a algum risco que aqui não teria? Será que consigo viver longe do meu mundinho curitibano? Será que consigo lidar com a insignificância de um estranho na cidade grande?
Esses "serás"estão me matando, de medo, de pânico, de ansiedade... mas aí eu penso no vazio que eu sinto aqui, no sentimento de solidão que eu tenho em relação aos meus amigos e a minha vida. Não me engano pensando que fugir será solução para um problema interno, mas talvez não ver e nem viver essa rotina quase mortal, me faça esquecer que eu sou uma pessoa solitária, porque as pessoas aqui me lembram o tempo todo disso, então prefiro ser solitária longe do meu habitat, assim pelo menos me sentirei menos excluída.
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